quinta-feira, 29 de outubro de 2009

meu aniversário

Dizem que é a mão que denuncia nossa idade, a cara da mulher pode estar linda, o corpo enxuto, mas se você olhar para as mãos, vai saber a verdade. Na véspera de completar vinte e nove anos, resolvi olhar para as minhas.
É quase imperceptível, nenhuma mancha, vinco, nada parecido. É mais como se ela estivesse um pouco mais altiva, menos falastrona, o tempo. Eu sempre achei bobagem quando minhas amigas diziam, quando você chegar perto dos trinta, vai entender. Não estou entendendo nada muito bem, na verdade, acho que melhorei com a idade. No colégio eu era só uma menina extrovertida, que gostava de poesia, era meio amiga de todo mundo, meio sem turma, meio cdf, pecando na matemática, um pouco nerd, talvez. Quando meus pais se separaram eu caí no mundo. Foi uma queda desajeitada, comecei a fazer teatro profissional quando a maioria dos meus colegas nem sabia direito qual vestibular prestar, faltava nos eventos escolares para ensaiar e caía na balada. Era colégio de manhã, Célia-Helena fim de tarde-noite e a noite madrugada adentro. Nem sei como aguentei, minhas notas caíram, eu comprei um dicionário mundial de citações para dar conta das redações, adquiri olheiras, parei com os esportes, lia sem parar e me apaixonava pelos homens errados. Lembro que o Marcelo Paiva foi dar uma palestra na escola e eu me apaixonei por ele. Fiz um pedido de namoro, mas ele não aceitou, preferiu a Marina, minha amiga. Agora somos bons amigos e rimos do episódio. Como eu disse, acho que o tempo é meu aliado, com dez anos olhava aquelas meninas populares jogando handball como profissionais e sabia que era por pouco tempo que eu ia continuar fugindo da bola, sabia que ia ser por outro caminho. Naquela época eu tinha a impressão de que tinham me colocado na quadra errada, com as pessoas erradas. Depois encontrei o teatro, e achei que era um bom lugar para fixar residência no mundo, mas aos poucos, aconteceu de tudo ir ficando apertado e eu passei a ir atrás de outras vistas. Então acabei sentindo que estava em muitos cantos e talvez em canto algum. Hoje decidi que não existem lugares, mas onde quer que eu esteja, tento ser a melhor companhia para mim mesma e para minhas mãos.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

fim de noite



Esta foto é um tiro no pé, eu sei, mas quando a festa é boa, o fim de noite corre o risco de ser na sarjeta. Descalça.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

vai ser legal!

É uma festa para arrecadar fundos para a peça, e de quebra, é meu aniversário. A peça é do Caco Galhardo, a direção da Fernanda D Umbra e eu produzo e atuo. A música vai ser boa.

Até já.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

DER EDUCATOR

Depois da novela japonesa, foi a coisa mais trash que já fiz diante das câmeras.


video

ps: trash é bom.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

só uma lista

-vinho barato dá dor de cabeça
-champanhe barata dá dor de cabeça
-misturar marca de cerveja dá dor de cabeça
-produtos light engordam
-chocolate suíço tem muita manteiga
-ninguém escapa das oralidades
-nem dos clichês
-gente atrasada nunca muda
-o tamanho da insegurança é proporcional ao da beleza
-meus pais nunca vão se entender
-não existe ressaca a toa
-o barato sai caro
-a Rebouças está sempre engarrafada
-no jantar de estreia de uma peça só se fala da peça
-eles sempre cobram a mais na conta de telefone
-eles podem cortar sua luz sem te avisar
-eu não consigo mentir nem para o cara do seguro
-eu não devo falar ao telefone dirigindo
-poesia ruim constrange
-poesia boa aplaca
-o poema feito em sua homenagem não se avalia
-fumar faz mal a saúde
-torpedos de amor somem do aparelho junto com as mensagens da operadora
-eu sempre pego a ponte errada na Marginal
-sei que estou prestes a cometer um erro segundos antes de cometê-lo
-romantismo não tem cura
-evitar consultar o saldo bancário só piora a situação
-uma faxina bem feita não resiste ao pó da cidade
-pensar na próxima cena, durante a cena, é a pior vala onde se pode cair
-pensar na cena que não foi boa, durante a cena, é na verdade a pior
-não importa o quanto isso incomode alguns, vou continuar sublinhando meus livros a caneta
-orquídeas só devem ser regadas a cada sete dias
-arruda todos
-uma coleção de caixinhas, é uma coleção de vazios
-rezar antes de sair da cama
-cortar as unhas do gato antes que elas cortem as almofadas
-não escrever no blog alcoolizada
-não mandar e-mails de madrugada
-fechar as gavetas antes de dormir
-descongelar a geladeira uma vez ao mês
-guardar comprovantes de residência de dois anos atrás
-não deixar cds originais no carro
-anotar o número do pis em algum lugar
-ligar para minhas avós
-olhar a janela de casa de fora da casa
-ir para cama no primeiro momento de sono
-não pedir conselhos sobre o mesmo assunto para mais de duas pessoas
-não responder ao taxista se é aqui que você mora
-sempre ter uma folha de cheque na carteira
-o rodízio do carro é na segunda
-eu devia ter feito aquele back-up

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

para onde?

É interessante ver a cidade mudando, na sua fuça, como um bicho de estimação crescendo entre aqueles que você ama. Essa mãe infiel, que muda de cara toda vez que você se distrai. Primeiro foi o Vegas, acho, depois o Inferno , outras casas noturnas, lugares descolados para se comer e quando a gente viu, a antiga Vila Madalena, na época em que era legal ir à Vila Madalena, mudou-se para a rua Augusta, lado centro. A mesma rua que, nos tempos da minha mãe, era um lugar chiquérrimo para se desfilar os cabelos alisados com a toca noturna. A rua mais democrática do lado Jardins, a rua que não tenho dúvidas em pegar se tenho de voltar a pé na madrugada, a rua para onde meus amigos solteiros estão se mudando. Até onde sei, as putas saíram da zona para a boca e da boca, (a boca ainda existe?) para alguns lugares, inclusive a rua Augusta. E agora todos convivem harmoniosamente: quem quer balada pesada, as moças de vida fácil, os artistas que tocam no Studio SP, os salões de beleza onde você vê todo tipo de gente fazendo a unha, as academias vinte e quatro horas, os puteiros, saunas, livrarias, meus amigos e eu no bar Bahia, os atores habitués do Piolim, os playboys, teatros, sinucas ou apenas andarilhos de passagem à Praça Roosevelt. Enfim, de tudo um pouco, um pouco de tudo. É uma delícia passear por lá, é como tomar uma brisa em Copacabana. Alguns puteiros desapareceram, viraram bares de moderninhos e o trânsito continua ruim. Eu fiquei pensando, até quando? Posso estar enganada, muitos devem manjar muito mais desse assunto do que eu, e só me arrisco a dizer (porque estou vendo a coisa de perto) que este parece ser um período de transição, ( bom, claro, todo período é uma transição), enfim, parece que a rua Augusta vai voltar a ser um endereço exclusivamente frequentado por uma classe social abastada. Será? ou será que é justamente por causa dessa "diversidade", dessa fauna excêntrica misturada que ela vem chamando a atenção daquelas pessoas que até poucos anos tinham medo de ir ao centro depois que o sol se pusesse. E se isso acontecer, quem vive e trabalha por lá, vai para onde? A longo prazo, é possível a convivência desses universos tão diferentes? Quando eu era pequena e passava as férias na fazenda, ouvi uma vez algum tio dizer para o outro que não era bom arrendar a fazenda para plantação de cana. Eu perguntei por que e ele me explicou que a cana é um tipo de plantação que suga tudo da terra até não sobrar mais nada, até a terra falir, e que depois, são necessários muitos anos para ela voltar a ser produtiva. É um pouco essa imagem que eu tenho da gente no mundo, a gente vai tomando conta de um lugar, uma área, vai sugando tudo que tem de bom alí até esgotar. Daí a gente procura um lugar novo. Mas acho que sempre foi assim, não? Desde os tempos de nossos ancestrais nômades. A diferença é que no campo, depois da colheita vem a queimada, que deixa tudo com cara de nada e na cidade vem o que a gente chama de decadência, depois a xêpa.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009


( Eu, Maria Manoella, Caca Manica, Erika Puga, Lu Caruso e os homens, Laerte Mello e Batata em foto de Renato parada)

Tem muita gente por aí com quem eu ainda quero trabalhar e tem gente com quem eu quero sempre continuar trabalhando. Uma dessas pessoas é o Mário, o Bortolotto. O Mário não é um diretor de processo, como ele mesmo costuma dizer. Por isso tem muita gente que, equivocadamente, acha que ele não é muito de dirigir ator. É verdade que se você propuser um ensaio-laboratório, exercícios de improvisação com o texto que ele escreveu cirurgicamente, adaptou ou simplesmente está encenando, ou ainda, se você quiser propor um jogo de expressão corporal, qualquer atividade do gênero ou dar um grito de guerra antes do espetáculo, é capaz que ele te mande sair andando, gentilmente, claro. Mas tem uma coisa, entre muitas, que ele faz com maestria: te ajuda a construir a linha de pensamento do seu personagem como ninguém. E isso é raro. Não estou dizendo que todas essas outras possibilidades de trabalho que citei acima, sejam inúteis ou menores, mas diretor é como namorado, você não acha tudo em um parceiro só. Você escolhe as qualidades das quais não pode abrir mão, e no resto, você faz sua parte e tenta se garantir. Hoje a Manu me disse na coxia "Essa peça precisava de mais uma semana...", e eu respondi, "Você pode ensaiar durante um ano, que na véspera de uma estreia, uma peça sempre precisa de mais uma semana.". Não temos uma semana, aliás, temos pouco mais que 24 horas, já que amanhã, meia-noite, nos Parlapatões, estreiamos "Brutal". Ficamos por lá todas as sextas até final de novembro, neste horário, que vai me obrigar a pedir cafés duplos, fortes e entrar em cena na hora em que o resto do mundo já está na terceira latinha de cerveja. E eu vou estar sóbria e feliz. E este post todo é para dizer que venham!